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Quem tem projeto de Estado?

Data: 04/07/2009 - Diário da Manhã

É consenso dizer que um País ou um Estado (e até mesmo um município) precisa de um projeto de futuro para orientar o seu crescimento e desenvolvimento. Em Goiás, podemos concluir que Pedro Ludovico, nos anos 30 e 40, tinha um projeto de Estado. Mauro Borges, no início dos anos 60, também contribuiu com a sua visão de futuro, logo destruída pelo golpe militar, projeto este que sobreviveu por longos e longos anos na estrutura administrativa que ele implantou para o Estado.

A redemocratização trouxe Iris Rezende e o PMDB, mas ambos careciam de qualquer tipo de planejamento em termos de governo. Os 16 anos do peemedebismo foram marcados pela obsessão com as obras físicas, na suposição, segundo eles próprios, de que estavam implantando a necessária infraestrutura para levar Goiás a novos níveis sociais e econômicos. Não havia um sentido de conjunto nem de coerência, tanto que foi o próprio partido que, mais tarde, acabou vendendo uma das nossas maiores obras públicas, fundamental para o desenvolvimento social e econômico do Estado, a Usina de Cachoeira Dourada, praticamente inviabilizando, a partir daí, a permanência da Celg como empresa de energia elétrica fomentadora do desenvolvimento.

O exemplo que Iris e o PMDB dão hoje na Prefeitura de Goiânia repete a mesma história. É asfalto, asfalto e ponto final. Não há na administração municipal goianiense, nem mesmo adoção de programas sociais, apoio ao empreendedorismo, fomento à geração de empregos através da atração da investimentos, de uma Educação de qualidade, saúde para os mais pobres e, sobretudo, não há um diálogo articulado com a sociedade. O que existe é o que sai da cabeça do prefeito, pilotando uma máquina municipal que, de tão arcaica, não dispõe sequer de uma rede interligando seus computadores.

Um projeto de Estado significa definir um padrão de desenvolvimento a ser alcançado e deflagrar as ações que levem até lá. É o resultado de uma ampla convergência histórica e política, dentro e fora do poder público, que vai sendo moldado por diferentes correlações de forças e pelo respaldo da população. Em Goiás, com tal amplitude, isso só aconteceu a partir de 1968, com a virada das urnas que destronou o PMDB e colocou Marconi Perillo no poder: surgiu naquele momento histórico uma oportunidade e cabia aproveitá-la.

Em parte, o projeto de Estado que foi criado por Marconi e o PSDB decorreu de uma característica que hoje em dia só se encontram nos jovens e que foi revelada pelo novo governador. Ele mostrou possuir a mente sintetizadora, ou seja, a habilidade de extrair o que é essencial do amontoado cada vez maior de informações despejadas diariamente pelos mais diferentes meios. Um presidente, um governador ou um prefeito devem ter essa "mente" ou, pelo menos, ser assessorado por profissionais capazes e com essa visão de futuro. Do contrário, tende a ficar paralisado entre as múltiplas alternativas.

É correto dizer, portanto, que o período relativo aos dois governos de Marconi Perillo estabeleceu em novos termos e novo patamar a disputa social e política em torno de um padrão de desenvolvimento, o que certamente não é pouca coisa.

Até então, a administração pública estadual se dava em torno de uma ou duas prioridades. Dali em diante, todos os setores passaram a ser trabalhados, com o Governo funcionando como indutor do desenvolvimento, seja como investidor direto, seja como articulador das forças econômicas de dentro e de fora do Estado.

O que é o projeto de Estado do PSDB e de Marconi? Basicamente, introduzir Goiás na era da modernidade. O suporte fundamental para esse novo Estado é a Educação. Sua superestrutura, o parque industrial, sem desprezar a participação da agricultura e da pecuária, mas redesenhados dentro da cadeia produtiva dos grãos e das carnes. Seu núcleo social, a geração de empregos, em uma ponta, e os programas de assistência para garantir a dignidade dos setores carentes da população, em outra ponta. Tudo isso organizado em um cenário presidido pelo Governo estadual, atuando como formulador e incentivador da economia.

Identificar os problemas, buscar soluções em conjunto e planejar o desenvolvimento de Goiás, que deve derivar do envolvimento e dos esforços de todos os goianos. É esse o cerne de um bom projeto de Estado. Mais ainda: para construir um Estado moderno, é preciso um governador moderno. O que dizer de administradores que não sabem sequer abrir ou enviar um e-mail? Ou que não conhecem a linguagem do mundo digital?

O PMDB, um partido tradicionalmente com os olhos no passado, não tem projeto de Estado para Goiás. Entre as demais siglas partidárias, o PP, um partido sem base política ou social, teve uma chance milagrosa, mas não aproveitou a oportunidade, provavelmente pelo seu excessivo conservadorismo ruralista e também pela ausência absoluta de quadros. O PT goiano, por sua vez, foi engolfado pelo política rasteira e não consegue pensar em mais nada além de ajudar Lula a manter o poder federal, perdendo anos e anos sem conseguir colocar uma tese sequer na mesa de debates.


*Daniel Goulart é deputado estadual e vice-presidente do PSDB goiano
danielgoulart@assembleia.go.gov.br

Data: 04/07/2009 - Diário da Manhã

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