Ações da Celg a preço de banana?
Data: 06/01/2010 - Diário da Manhã
Mais uma vez estamos diante de negociações que vão promover a venda de ações da Celg. Ao analisar a situação através de publicações da imprensa local, pude constatar que, há cerca de um ano a venda de 41,08% das ações da Companhia Energética de Goiás quitaria a dívida de R$ 1,203 bilhão da empresa. Em outubro passado, a intenção era comprar a referida quantidade de ações por R$ 40 milhões. E, pelo que vemos, essa será a proposta final a ser acertada em breve.
Agora, como valorar dessa forma quase a metade da empresa sendo que somente a ampliação de uma subestação, como a de Acreúna, por exemplo, teve custo de cerca de R$ 20 milhões? Em 2004, uma avaliação feita pelo Banco Fibra S.A. indicava que a Celg Distribuição valeria R$ 1,5 bilhão e 41,08% de suas ações R$ 616 milhões.
Outros questionamentos podem ser feitos a partir desse tipo de informação. Como por exemplo, quanto vale hoje apenas a Celg Telecom, desprezando a Celg Distribuição S.A. e a Celg Geração & Transmissão? Alguma avaliação específica sobre essa sociedade já foi feita?
A Celg Telecom foi criada em agosto de 2008 e é a promessa de ser a “galinha dos ovos de ouro” da empresa. De acordo com um Plano de Negócios elaborado por uma empresa de consultoria, foi possível dividir o horizonte de projeção em duas partes. Uma delas descreve os resultados operacionais previstos e projetados para 10 anos. O período foi estimado com base no desempenho possível de se prever de mercado e da economia e no potencial de participação da empresa.
A segunda parte do horizonte de projeção começa no período de dificuldades de previsão, onde é complicado manter a agregação de riqueza. Nessa parte, o investimento passa a ser remunerado em percentual bastante próximo ao da taxa mínima de retorno requerida pelos provedores de capital.
Como resultado da avaliação desse Plano de Negócio, o valor da Celg Telecom ficou estimado em R$ 208,8 milhões - para o cenário normal - e em R$ 156,9 milhões - no período de dificuldades. Ou seja, negociar 41% das ações da Celg Par, que compreende a Celg Telecom, a Celg D e a Celg G & T, por R$ 40 milhões é uma afronta do Governo Federal ao Estado de Goiás.
Governo este – na figura do próprio presidente Lula - que, aliás, declarou no último mês de agosto, que a Celg tinha o valor de R$ 184 milhões. Sendo assim, em menos de dois meses esse valor teria caído para R$ 97,37 milhões. Que avaliação foi feita pelo Governo Federal para chegar a algum desses valores? Ou o Governo Estadual chegou a contratar alguma consultoria para avaliar a Celg Par e o valor de suas ações? Esses são questionamento que venho fazendo publicamente há alguns meses e nunca obtive respostas.
A Eletrobrás vem sinalizando a viabilização de um empréstimo no valor de R$ 3,4 bilhões através da Reserva Global de Reversão, que é um fundo na ordem de 3% a 7% ao ano. De acordo com a Resolução da ANEEL, esse fundo tem a finalidade de expansão e melhoria dos serviços públicos de energia elétrica. Ou seja, a Celg Par já poderia ter se beneficiado desse recurso quando estava adimplente com a Eletrobrás. Pode não ter sido oferecido antes por falta de confiança na administração da Celg Par em poder do governo estadual?
O governador Alcides ao substituir o ex-presidente da Celg Ênio Branco por um político, suplente de deputado estadual de sua confiança, assumiu o compromisso de solucionar a situação da Celg. Mas não é vendendo as ações da empresa a preço de banana que isso vai se resolver.
Já passou da hora de questionamentos como os feitos nesse artigo sejam respondidos. Eles são importantes para que todos nós possamos entender um pouco mais sobre a história recente da Celg. Assim é possível ver que as ações da companhia valem bem mais que os R$ 40 milhões que estão atribuindo a elas.
Daniel Goulart (PSDB) é deputado estadual e presidente da Comissão de Tributação, Orçamento e Finanças da Assembléia Legislativa
Data: 06/01/2010 - Diário da Manhã |