Uma história pela liberdade
Data: 06/05/2008 - Diário da Manhã
Ao ler uma revista ou assistir a um noticiário na TV, nem todo mundo tem a
dimensão exata do trabalho e das pessoas que estão envolvidas nessas
tarefas. Na teoria, o jornalista é o porta-voz da sociedade. Na prática,
a classe luta ano após ano para cumprir essa função essencial. Por isso,
não poderia deixar de dizer o quanto este mês de abril foi especial para
os que trabalham em redações de todo o Brasil. No último dia 7, a
Associação Brasileira de Imprensa (ABI) ficou centenária e ganhou até
uma sessão especial no Senado Federal. E não foi uma festa somente para
os envolvidos com a profissão. Mas uma comemoração detodos nós.
A ABI não surgiu apenas para testemunhar a nossa História e sim para
participar ativamente dela. Sua trajetória tão importante é feita de
momentos memoráveis em defesa de um bem precioso: a liberdade de
expressão. É por meio desta conquista que eu posso usar esse espaço
deste jornal todas as semanas para dizer o que penso.
Talvez as gerações mais jovens não tenham a dimensão da importância
das palavras liberdade e democracia. Nem sempre elas estiveram ao alcance
da sociedade e da mídia. A imprensa brasileira, por exemplo, ainda guarda
seqüelas da censura que sofreu durante o regime militar. Na verdade, a
imprensa nunca teve tempos brandos. As primeiras décadas da República
também foram marcadas pela falta de liberdade, que continuou por um bom
tempo, período em que diversos jornais foram fechados. E foi em meio à
opressão e assassinatos a jornalistas que nasceu a ABI. Com muito vigor, a
entidade teve o importante papel de denunciar e combater as violações à
liberdade de expressão.
Sua luta sempre foi política. Com o passar dos anos, a Associação
Brasileira de Imprensa continuou presente em momentos decisivos do nosso
país como a defesa da anistia, o fim da censura prévia, a luta pelas
eleições diretas e na realização de uma Assembléia Nacional
Constituinte. Enfrentou desafios,
perigos, ameaças e represálias para que a liberdade fosse e seja um bem a
cobrir e proteger o povo brasileiro.
Sou convicto de que a plenitude democrática somente ocorre quando temos
uma imprensa livre e responsável. A liberdade é o bem maior de uma
sociedade. É também por ela que trabalho dia após dia todos os anos de
minha trajetória política. Minha atuação parlamentar é pautada pelo
respeito a todos esses porta-vozes do povo. Já estive do outro lado e sei
das dificuldades de administrar uma entidade de comunicação. Nos ano de
1999, presidi o Consórcio de Empresas de Radiodifusão e Notícias do
Estado de Goiás, antigo CERNE. Busquei valorizar esses profissionais
oferecendo melhores condições de trabalho e salários. E com isso houve
uma melhoria nos canais de rádio e televisão, que, apesar de pertencerem
ao Estado, primam pelos interesses populares.
Sei que hoje os meios de comunicação enfrentam outros obstáculos. Além
de aprimorar a convivência com a liberdade, precisam se adequar às novas
tecnologias e às disputas mercadológicas por leitores, ouvintes e
telespectadores. É por este constante desafio que ocupo este espaço afim
de parabenizar os profissionais da imprensa e empresários da comunicação
goiana e brasileira. Prezo a competência dos nossos jornalistas que
batalham em busca da notícia e da verdade.
Homenagear a ABI é prestigiar todos aqueles que representam homens e
mulheres de bem deste país, independente de sua condição social. Esse
profissional é a voz do povo. Calar a imprensa é calar essa voz. Hoje, a
imprensa brasileira é fundamental para lembrarmos da importância da
democracia e o quanto ela já nos fez falta.
Daniel Goulart é deputado estadual e vice-presidente do PSDB-GO.
Data: 06/05/2008 - Diário da Manhã |