Renovando minha CNH
Data: 16/04/2008 - Diário da Manhã
Na semana passada, estive em uma das unidades do Vapt Vupt da capital para dar início ao processo de renovação da minha carteira nacional de habilitação (CNH). Muito bem atendido, pude comprovar o motivo que leva as centrais de atendimento a serem os órgãos públicos mais bem avaliados pela população. Hoje, quem chega como eu em qualquer um dos cinco postos instalados em Goiânia ou mesmo nos 13 outros em funcionamento no interior do Estado encontra, além de instalações confortáveis e climatizadas, pessoal bem treinado e eficiente.
Ainda na entrada no Vapt Vupt, uma atendente me informou, muito educadamente, que eu precisaria de um comprovante de endereço. Como não tinha levado o documento, fui encaminhado rapidamente ao quiosque da Companhia Energética de Goiás, onde peguei uma segunda via da minha conta de energia. O funcionário da Celg, também muito solícito, me atendeu dentro da filosofia amplamente difundida no Vapt Vupt: objetividade e qualidade no atendimento, que, ao meu ver, devem ser estendidos a todos os órgãos do governo.
De posse do documento que faltava, peguei a senha e, em poucos minutos, fui atendido por uma funcionária do Departamento de Trânsito (Detran). Depois de pagar as taxas exigidas, tirei uma nova fotografia e fiz meu exame médico. Como o Código Nacional de Trânsito (CNT) trouxe a exigência de cursos teóricos-técnicos e de prática de direção veicular, incluindo direção defensiva, proteção ao meio ambiente e primeiros socorros, até para quem busca renovação da CNH, tive de escolher entre participar de 15 horas/aula ou fazer uma prova teórica. Minha opção recaiu sobre a prova, que marquei para o sábado seguinte.
No dia e hora marcados, compareci ao Detran. Eu e os demais candidatos fomos levados, às 8 horas, sem nenhum atraso, para uma sala onde um funcionário fez a chamada, por ordem alfabética, separando os presentes em duas turmas. Ao ser encaminhado para a minha sala, encontrei, lá, duas funcionárias gentis e educadas, que, depois de conferirem as documentações pessoais dos candidatos, nos disse que teríamos uma hora para responder às 30 questões da prova. Só conseguiria aprovação, quem conseguisse 21 acertos. Em pouco mais de 10 minutos, já tinha terminado a minha.
Como não quis ligar para que alguém da minha família me buscasse no Detran, resolvi pegar um táxi, já que estava com minha CNH vencida e não poderia eu mesmo dirigir meu carro. Quero deixar claro que o trajeto até minha casa foi muito proveitoso. Por respeitar muito os taxistas - inclusive é de minha autoria a Lei 14.843, de 16 de julho de 2004, que cria o Dia Estadual do Taxista - aproveitei os mais de 20 minutos que durou a corrida para conversar com o motorista. E, desse bate-papo, consegui tirar lições importantes.
Logo ao entrar no carro, me sentei no banco da frente e coloquei o cinto de segurança, gesto que observei não ter sido seguido pelo taxista. Também reparei que ao invés de um som automotivo, o motorista ouvia música sertaneja que saia de um pequeno radinho sintonizado em AM que estava colocado sobre o painel do carro. Ao lado do rádio, pude perceber ainda um pequeno canivete, que era usado para descascar pequenas frutas, que ele comia nas horas vagas.
Falante, gentil, bem humorado e aparentando ter cerca de 50 anos, o motorista foi conversando despreocupadamente comigo ao longo de todo o trajeto. Contei, a ele, inclusive que eu tinha ido ao Detran para renovar minha CNH. Ele, por sua vez, me disse que na última vez em que renovou a habilitação, optou, ao contrário, pelo curso prático exigido pelo CNT. Ao ouvir essa informação, não pude deixar de pensar que, apesar de ter aprendido nas aulas que o cinto é um dos itens básicos de segurança, que impede conseqüências graves em caso de acidentes automotivos, ele resistia em não usá-lo.
Surpreendi-me ainda mais quando o motorista me disse que, dos 30 anos de profissão, 28 deles ele passou pegando passageiros no ponto de táxi em frente ao Detran. Nessa hora fiquei imaginando que, depois de ouvir diariamente informações prestadas funcionários e candidatos que renovam e tiram suas carteiras de habitação, se ele não foi convencido da importância de se utilizar o cinto de segurança é porque os cursos e as campanhas educativas realizadas pelo Detran podem não estar sendo eficientes.
Ao observar o motorista ao meu lado, que aparentava ser uma pessoa de bem, ponderei seriamente se não é hora do governo reformular as campanhas educativas de trânsito existentes para que elas realmente atinjam os objetivos esperados. Acredito, inclusive, que Goiás conseguirá inovar caso seja aprovado projeto de lei que apresentarei nos próximos dias na Assembléia Legislativa. A nova matéria pretende introduzir, na grade curricular das escolas goianas, a disciplina Educação para o Trânsito.
Entre outras coisas, a nova disciplina permitirá que os estudantes aprendam a importância do cinto de segurança tanto para os motoristas quanto para os passageiros, inclusive para aqueles que se sentam no banco de trás. Ao aprenderem esse tipo de lição mais cedo, os alunos certamente levarão esse conhecimento para o resto de suas vidas.
Daniel Goulart é vice-preside nte do PSDB goiano, deputado estadual e presidente da Comissão de Finanças e Orçamento da Assembléia Legislativa
Data: 16/04/2008 - Diário da Manhã |