A UEG e a falácia da “terra arrasada”
Data: 17/10/2009 - Diário da Manhã
Na tentativa de criar um clima de “terra arrasada” em Goiás, muitas palavras estão sendo jogadas ao vento por lideranças estaduais, em eventos públicos ou em declarações à imprensa. Mas palavras são efêmeras quando elas se remetem a acusações graves. Assim, diante da necessidade de esclarecimento, é preciso provar o que diz e não apenas acusar com o objetivo de denegrir a imagem de seu antecessor.
Nas últimas semanas, a Universidade Estadual de Goiás esteve entre os alvos de críticas feitas pelo atual governador do Estado. De acordo com ele, a UEG teria herdado do governo anterior 600 mil títulos protestados de dívidas atrasadas, o que resultaria num montante de R$ 20 milhões.
O ex-reitor da universidade José Izecias, desde a sua criação em 1999 até 2006 (nomeado em 1999 e eleito pela comunidade acadêmica em 2000 e em 2004), rebateu ao lançar um desafio aos integrantes do atual governo para que eles apresentem documentos que comprovam a existência dos referidos títulos protestados e a dívida. Ainda segundo ele, todos os compromissos foram cumpridos e lembrou que no governo Marconi Perillo houve garantia de repasse de 2% do orçamento estadual à universidade.
Assim como o próprio governador já disse que não quer ficar com fama de mentiroso, eu também não quero que ele fique. Por isso, na última quinta-feira, apresentei no Plenário da Assembleia Legislativa de Goiás um requerimento solicitando ao chefe do Poder Executivo estadual esclarecimentos e provas sobre essa suposta dívida. É muito ruim para o governo, e principalmente para o povo goiano, que essa seja uma denúncia vazia. Prefiro acreditar que algum assessor tenha passado uma informação errada. Isso acontece.
Por outro lado, se essa suposta denúncia tinha como objetivo atingir o meu partido, ela foi direcionada ao alvo errado, uma vez que a UEG é uma instituição autônoma. Ou seja, se essas dívidas de fato existiram, não era responsabilidade do então governador.
Mas o irônico é ver que críticas e acusações falaciosas partem de pessoas que há pouco tempo elogiavam o governo do Tempo Novo e tinham as portas abertas durante esta gestão. Muitos estão no poder hoje graças à força política do PSDB. Falar que a UEG estava inviável e que as dívidas foram pagas é uma maneira que criar um falso clima de “terra arrasada” para fazer surgir a imagem de um salvador da pátria.
A UEG é um dos mais importantes legados do Tempo Novo. Através dela, vários cidadãos de nosso Estado conseguiram realizar o sonho de concluir o ensino superior. Hoje vários municípios de nosso Estado contam com uma unidade da instituição. Assim, muitos jovens não precisaram sair de suas cidades para estudar.
Por que atribuir referências negativas a uma instituição que trouxe tantos benefícios à população de nosso Estado? Ledo engano daqueles que acham que vão conseguir manchar a honra e a reputação do ex-governador e agora senador Marconi Perillo.
Daniel Goulart é vice-preside nte do PSDB goiano, deputado estadual e presidente da Comissão de Finanças e Orçamento da Assembléia Legislativa.
Data: 17/10/2009 - Diário da Manhã |