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O governo Alcides e a desvalorização cultural

Data: 19/01/2010 - Diário da Manhã

A falta de compromisso com a cultura do atual governo do Estado nos faz sentir falta dos projetos inovadores e criativos do senador Marconi Perillo. Esse, inclusive, é um bom motivo para almejar a sua volta ao Palácio das Esmeralda. As ações culturais de sua iniciativa deixaram saudades e também a expectativa de novos projetos.

A marca do Tempo Novo nessa área é pautada pela valorização do espírito do povo goiano, de suas raízes e de suas produções. Um dos principais pilares dos governos Marconi era a cultura. Seu apoio aconteceu em diversos seguimentos. Na Literatura, por exemplo, tivemos a criação da Feira do Nacional do Livro e da Bienal do Livro. Foram mais de 250 livros publicados nas coleções da Agepel e do Instituto Goiano do Livro, sem contar os inúmeros apoios a seminários e a congressos.

Vários eventos criados pelo governo Marconi consolidaram o calendário cultural do Estado, como o Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), realizado na Cidade de Goiás, a Mostra de Teatro de Porangatu, e também o Canto da Primavera, em Pirenópolis. Mas, infelizmente, esses eventos perderam o seu charme.

Ainda na música, o projeto Um Gosto de Sol, Diversão e Arte que, além de Goiânia, acontecia em diversas cidades do interior. Teve a criação da Orquestra Jovem, a Bolsa Orquestra e o incentivo a edições de discos e DVD.

Junto com o FICA, vieram inventivos a diversos filmes e editais publicados para o cinema, e circuito de filmes em cidades goianas. Na dança, o governo Marconi criou a Mostra Nacional de Dança – Paralelo 16. O Balé Jovem somava, em 1999, com cerca de uma centena de prêmios em festivais.

Os prédios históricos tiveram atenção especial na gestão do Tempo Novo. Mais de 45 igrejas e outras construções foram restauradas ou reformadas. Tivemos também uma grande vitória com a bonita campanha para que Goiás se tornasse Cidade Patrimônio da Humanidade.

A aprovação da Lei Goyases de Incentivo à Cultura foi também uma importante iniciativa e possibilitou a execução de mais de 300 projetos. Nas artes plásticas tivemos diversos avanços, com a transformação da Escola de Artes Veiga Valle em Centro de Educação Profissional em Artes. Ali, a população tem acesso a cursos nas cinco linguagens de artes. Ocorreu o restauro e a readequação do Museu de Arte Contemporânea, que já abrigou importantes exposições. Além do Prêmio Sérgio Motta de Cultura e do Salão Flamboyant de Arte Contemporânea.

Num país onde 53% das cidades não têm espaços culturais, como museus e teatros, Marconi Perillo construiu centros culturais em várias cidades pólos do Estado, a exemplo de Catalão, Ceres, Porangatu, Palmeiras, e outros.

Em março de 2006, foi inaugurado o Centro Cultural Oscar Niemeyer. Três espaços – o Palácio da Música Belkiss Spenciere, o Museu de Arte Contemporânea e o Auditório Ligia Rassi – já receberam importantes eventos, como shows, peças teatrais e a Exposição de Pablo Picasso, que integrou o Circuito Cultural Banco do Brasil.

A biblioteca do Oscar Niemeyer também está pronta e os livros estão comprados. No entanto, qual a explicação do atual governo para o fechamento do Centro? Picuinhas políticas não podem cerrar as portas de um importante espaço como esse. O que são meros reparos diante da grandiosidade de fomento à cultura que ele pode proporcionar? E já proporcionou.

Uma publicação da última semana do Diário Oficial comprova que só faltam pequenos detalhes na conclusão da obra do Centro Cultural Oscar Niemeyer. O contrato é vigente até o dia 29 de março deste ano e é referente à “execução de serviços complementares da obra”.

Sem contar que essas picuinhas também atrapalharam todo o legado já citado do governo do Tempo Novo. Muitos projetos estão prejudicados, foram descaracterizados ou perderam qualidade. Afinal, fazer tudo isso funcionar deixará viva a memória de Marconi no cotidiano das famílias goianas. Mas quem perde com isso é a população. E pensar no coletivo deve ser maior que qualquer bandeira partidária.


Daniel Goulart é vice-preside nte do PSDB goiano, deputado estadual e presidente da Comissão de Finanças e Orçamento da Assembléia Legislativa.

Data: 19/01/2010 - Diário da Manhã

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