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Pré-candidatura de Raquel é Legítima e sem volta

Data: 20/02/2008 - Diário da Manhã

Num sistema democrático, exige-se daqueles que estão no poder o desprendimento e habilidade para construir um governo plural, com a participação das mais diferentes siglas, de forma a garantir que as diversas correntes políticas estejam representadas na estrutura do Executivo. Ao encabeçar o Tempo Novo, o PSDB soube colocar este princípio em prática como nenhum partido o fez em toda a história de Goiás. Construímos uma aliança que uniu de PFL a PCdoB, num governo em que a grande maioria dos partidos foi contemplada – cada qual de acordo com seu peso político – e no qual todos tiveram voz nas decisões que traçaram o futuro de nosso Estado.

Tais preceitos também vão nortear o posicionamento do PSDB nas eleições municipais deste ano, quando os 246 municípios goianos escolherão seus prefeitos. Isso se dará com maior clareza em Goiânia, onde a base aliada conta hoje com nada menos que cinco excelentes pré-candidatos para apresentar à população. Meu partido oferece o nome da deputada federal Raquel Teixeira; o PSB tem como pré-candidato o presidente da Agetur, Barbosa Neto; o deputado federal Sandes Júnior é a indicação do PP; o DEM conta com o ex-deputado federal Vilmar Rocha; e o ex-superintendente do Sebrae Gilvane Felipe é o nome do PPS.

Com tantos pré-candidatos qualificados é de se esperar que haja dentro da base aliada ao governador Alcides Rodrigues (PP) a dificuldade em se escolher apenas um deles para representar essa coalizão vitoriosa chamada Tempo Novo. Posso adiantar que para o PSDB goiano seria um grande sacrifício abrir mão de candidatura própria, uma vez que o partido abdicou deste direito nas duas últimas eleições em Goiânia e na eleição para governador em 2006. Para os tucanos seria especialmente penoso não lançar candidato quando temos alguém com trajetória exemplar e excelentes chances de se tornar a primeira mulher a governar a Capital.

Além de seu notável trabalho como deputada federal, a Professora Raquel Teixeira destacou-se no comando de duas das principais secretarias de governo: Educação – no primeiro mandato do hoje senador Marconi Perillo – e Ciência e Tecnologia, já no segundo mandato. Sabe discutir soluções para Goiânia como ninguém e carrega no currículo o doutorado pela Universidade da Califórnia (EUA) e pós-doutorado pela Escola de Altos Estudos de Paris (França).

No momento presente, a candidatura de Raquel Teixeira à prefeitura de Goiânia é irreversível. Creio que este seja o pensamento de todo o meu partido. Porém, isso não significa que faremos pressão junto à base para impor o nome de Raquel como única representante da base aliada. Da mesma forma que para nós tucanos é custoso abrir mão de uma candidatura majoritária em Goiânia, reconhecemos que o mesmo sentimento aflige as demais legendas.

Porém seria injusto não conceder ao PSDB a oportunidade de concorrer à eleição majoritária de Goiânia. Nosso partido tem um histórico de identificação com a Capital que vem dos tempos de Nion Albernaz, o melhor prefeito que a cidade já teve. Numa eleição de dois turnos, não vejo qualquer impedimento quanto a termos dois nomes disputando a Prefeitura pela base aliada. Creio que o ideal é trabalhar o afunilamento das outras quatro candidaturas com o objetivo de se chegar a apenas um nome, que junto com Raquel formará a dupla de candidatos da base.

Não adianta escolher só um postulante e depois entrar na campanha sem vontade, sem o envolvimento efetivo das siglas que vierem a abrir mão de seus candidatos próprios. É preciso reconhecer que fracassamos ao viver tal experiência nas eleições de 2004, quando sequer chegamos ao segundo turno. Por que repetir o erro?

O PSDB não deixará passar o seu momento, nem o momento da Professora Raquel em Goiânia. Ou melhor, não deixaremos passar este que é o momento das mulheres na política em todo o mundo. Uma tendência que começou com a eleição de Michele Bachelet à presidência do Chile, em 2006; Cristina Kirchner na Argentina, em 2007; e pode culminar na eleição de Hillary Clinton à presidência dos Estados Unidos este ano.

Eis minha sugestão, que obviamente requer um grande debate envolvendo as executivas dos partidos, suas principais lideranças e, é claro, seus respectivos pré-candidatos. Tanto Raquel quanto o outro candidato que venha a ser o escolhido dentre os demais da base têm chances reais de chegar ao segundo turno. O povo decidirá quem é o mais qualificado para continuar na disputa. Aí então, com o envolvimento de todas as forças políticas desta grande coalizão, certamente seremos capazes de convencer a população de que o Tempo Novo que é bom para o Estado também é o melhor para Goiânia.


Daniel Goulart (PSDB) é deputado estadual e presidente da Comissão de Tributação, Orçamento e Finanças da Assembléia Legislativa

Data: 20/02/2008 - Diário da Manhã

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