Showmício e as eleições municipais
Data: 26/08/2008 - Diário da Manhã
É curioso observar como as eleições municipais são intensas, principalmente nas cidades do interior. Na maioria das cidades, as campanhas estão longe da grande mídia e os candidatos não têm nem mesmo horário eleitoral na televisão. Nessa hora, a participação popular faz toda a diferença. O povo vai às ruas e lotam praças para ouvir as propostas e os projetos dos candidatos. O eleitor veste a camisa (agora no sentido figurado). Balançam bandeiras e exibem adesivos no peito.
Sem dúvida, é durante esta campanha que podemos sentir o verdadeiro espírito da política. As eleições municipais refletem a importância destes cargos para a sociedade. Prefeitos e vereadores são os governantes mais próximos do povo e influenciam diretamente no cotidiano das pessoas. Cada município tem sua Câmara e Prefeitura. Basta o eleitor ir até lá para cobrar os projetos prometidos ou levar até o seu representante os problemas do seu bairro.
Por isso, a movimentação popular é bem diferente do que acontece nas eleições que elegem presidente, governadores, senadores e deputados. A comoção das pessoas não é tão intensa. Nas eleições de 2006, os candidatos foram escolhidos, basicamente, através dos programas de televisão e das carreatas.
Desde a campanha começou, eu tenho me dirigido a várias cidades do interior, apoiando colegas de partido. Em cada lugar que eu passo, tenho uma boa surpresa. No último domingo, participei de um comício em Nova América e outro em Cereaçu, povoado de Nova Glória. Em cada um, havia no mínimo 1.200 pessoas que ouviam atentamente o que os seus futuros representantes diziam ao microfone. A quantidade de pessoas diante daqueles palanques me surpreendeu. Talvez o número de expectadores superasse o de títulos eleitorais.
A minha surpresa se deu, principalmente, porque após a proibição dos showmícios ficou ainda mais difícil atrair o eleitor para ouvir propostas. É muito bom saber que no interior os comícios ocorrem normalmente. Isso me faz concluir que, para as eleições municipais, a decisão de acabar com as apresentações artísticas foi acertada. Além de ser uma chance de igualdade entre os candidatos, a ausência do showmício prova que as pessoas sairam de suas casas e deixaram os seus afazeres para de fato ouvirem os candidatos e não o artista.
Esta movimentação me faz otimista, principalmente porque o PSDB tem 123 prefeitáveis em Goiás com grandes chances de serem eleitos. E convicto também na vitória da base aliada em pelo menos 180 prefeituras. Em várias cidades vejo muitas bandeiras amarelas e azuis. Uma verdadeira onda tucana, como a que ocorreu numa tarde em Crixás, onde uma caminhada reuniu cerca de três mil pessoas.
Outro motivo que me faz acreditar nesses indicadores favoráveis é a participação do senador Marconi Perillo em campanhas no interior goiano. Nas últimas semanas, a sua agenda se pautou, basicamente, em viagens ao interior para dar apoio aos candidatos tucanos. E o senador causa um alvoroço em cada cidade de passa. Candidatos e até mesmo eleitores disputam um instante de atenção para fazer uma foto ou ter uma palavra. A alta popularidade de Marconi (que foi o senador mais votado da história, eleito com 70% dos votos válidos) com certeza irá beneficiar prefeitáveis e vereadoriáveis da base.
Observando esses rompantes da manifestação popular, reflito sobre a possibilidade de termos eleições gerais a cada cinco anos. A participação do povo na política deve ser intensa em todos os momentos. A comoção social é importante na hora de eleger todos os cargos.
Daniel Goulart é deputado estadual e vice-presidente do PSDB goiano www.danielgoulart.com danielgoulart@assembleia.go.gov.br
Data: 26/08/2008 - Diário da Manhã |