Quanto vale a Celg?
Data: 27/10/2009 - O Popular
Ao folhear recortes de jornais referentes à dívida da Celg, afim de estudo para a CPI que se desenvolve na Assembleia Legislativa, me deparei com uma reportagem que foi publicada em O Popular há cerca de nove meses. Ela destacava a venda de 41,08% das ações da Companhia Energética de Goiás para quitar a dívida de R$ 1,203 bilhão da empresa. Agora, a intenção é comprar a referida quantidade de ações por R$ 40 milhões. Como valorar dessa forma quase a metade da empresa sendo que somente a subestação de Acreúna, ampliada recentemente, ao custo de cerca de R$ 20 milhões? Em 2004, uma avaliação feita pelo Banco Fibra S.A. indicava que a Celg Distribuição valeria R$ 1,5 bilhão e 41,08% de suas ações R$ 616 milhões.
Parte daí uma série de outros questionamentos. A começar por quanto vale hoje apenas a Celg Telecom, desprezando a Celg Distribuição S.A. e a Celg Geração & Transmissão, e se alguma avaliação específica sobre essa sociedade já foi feita.
A Celg Telecom foi criada em agosto de 2008 e pode, no futuro, ser a “galinha dos ovos de ouro” da empresa. De acordo com um Plano de Negócios elaborado por uma empresa de consultoria, foi possível dividir o horizonte de projeção em duas partes. Uma delas descreve os resultados operacionais previstos e projetados para 10 anos. O período foi estimado com base no desempenho possível de se prever de mercado e da economia e no potencial de participação da empresa.
A segunda parte do horizonte de projeção começa no período de dificuldades de previsão, onde é complicado manter a agregação de riqueza. Nessa parte, o investimento passa a ser remunerado em percentual bastante próximo ao da taxa mínima de retorno requerida pelos provedores de capital.
Como resultado da avaliação desse Plano de Negócio, o valor da Celg Telecom ficou estimado em R$ 208,8 milhões - para o cenário normal - e em R$ 156,9 milhões - no período de dificuldades. Ou seja, negociar 41% das ações da Celg Par, que compreende a Celg Telecom, a Celg D e a Celg G & T, por R$ 40 milhões é uma afronta do Governo Federal ao Estado de Goiás.
Governo este – na figura do próprio presidente Lula - que, aliás, declarou no último mês de agosto que a Celg tinha o valor de R$ 184 milhões. Sendo assim, em menos de dois meses esse valor teria caído para R$ 97,37 milhões. Que avaliação foi feita pelo Governo Federal para chegar a algum desses valores? Ou o Governo Estadual chegou a contratar alguma consultoria para avaliar a Celg Par e o valor de suas ações?
A Eletrobrás vem sinalizando a viabilização de um empréstimo no valor de R$ 3,4 bilhões através da Reserva Global de Reversão, que é um fundo na ordem de 3% a 7% ao ano. De acordo com a Resolução da ANEEL, esse fundo tem a finalidade de expansão e melhoria dos serviços públicos de energia elétrica. Ou seja, a Celg Par já poderia ter se beneficiado desse recurso quando estava adimplente com a Eletrobrás. Por que só agora ela coloca esse financiamento a disposição? Esta situação pode denotar falta de confiança na administração da Celg Par em poder do Governo Estadual.
Esses são apenas alguns questionamentos que precisam ser esclarecidos em relação à história recente da Celg. Não adianta apenas dizer que a proposta é ridícula. É preciso questionar e avaliar com argumentos. Assim é possível ver que as ações da Celg valem bem mais que os R$ 40 milhões que estão atribuindo a elas.
*Daniel Goulart é deputado estadual e vice-presidente do PSDB goiano danielgoulart@assembleia.go.gov.br
Data: 27/10/2009 - O Popular |