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Transplante, esperança de vida

Data: 29/09/2009 - O Popular

A doação de órgãos e tecidos significa, em outras palavras, a continuidade da vida. Infelizmente, não é no dia-a-dia que muitos de nós refletimos sobre o assunto. Quando não somos surpreendidos por uma tragédia familiar ou por uma doença em que a esperança de vida é o transplante, a discussão acaba sendo fomentada pela mídia ou por políticas públicas. O que não deixa de ser legítimo.

Em Goiás, há cinco anos, a última semana de setembro é dedicada ao “Incentivo ao Transplante de Órgãos”. Ela foi instituída através da Lei nº 14.853, de 22 de julho de 2004, através de uma proposta de minha autoria, que elaborei com a intenção de estabelecer o debate em torno do assunto e assim aumentar o número de transplantes. Afinal, o tema é delicado. Muitas famílias ainda não conseguem transcender a dor da morte de um ente querido e não doam os órgãos. Por preconceito, por convicção religiosa ou mesmo por desinformação. Mas é um ato humanitário em prol da vida.

Independente da vontade de ser doador ou de ter a autorização da família, mais pessoas poderiam ser salvas. Nosso sistema de saúde, que cuida da questão de transplantes, sofre com problemas estruturais. São diversos fatores. Além da necessidade de mais doadores, falta infraestrutura e sobram pessoas nas filas.

Os dados do Ministério da Saúde mostram que no 1º semestre deste ano foram realizados em Goiás 174 transplantes, sendo que 156 foram de córnea. Atualmente, o Estado ocupa a 8ª posição no ranking de transplantes, a mesma de 2008. Um mau posicionamento, se comparado com dados passados. Em 2005, por exemplo, foram realizados 877 transplantes de córnea em Goiás.

E as filas não param de crescer. Nessa mesma época, no ano passado, eram 3.150 pacientes na lista de espera goiana precisando de uma córnea, um rim, um coração ou de um pâncreas. Agora, o Ministério da Saúde aponta que 3.326 goianos aguardam por um transplante.

A saída para que menos pessoas permaneçam nas filas e, claro, para que aumente o número de transplantes, passa pela capacitação de profissionais e pela adequação de mais locais para a realização do procedimento. Um exemplo é criar equipes locais em institutos médicos-legais no interior para remover córneas para transplantes.

As campanhas de conscientização são fundamentais para que mais pessoas sejam doadoras. Hoje a lei que regulamenta o transplante no Brasil possibilita que, ainda em vida, um indivíduo escolha ser doador de órgãos, o que não restringe apenas à família esta decisão. Isso já representa um avanço. E quem faz essa opção mostra que é possível transcender a dor do momento da morte para dar esperança a quem se agarra à vontade de viver.


*Daniel Goulart é deputado estadual e vice-presidente do PSDB goiano
danielgoulart@assembleia.go.gov.br

Data: 29/09/2009 - O Popular

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