
Lula e PT criam pedágio para Goiás
Data: 14/02/2008 - O Popular
O balanço de um ano do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), realizado no dia 22 de janeiro, virou palco para o desfile de incoerências que caracteriza o discurso do governo petista. Além de atestar a inoperância da gestão de Lula, que fala muito e pouco faz, o evento serviu para que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciasse que duas rodovias federais que cortam Goiás serão privatizadas no início de 2009.
Daqui a pouco mais de um ano os motoristas que trafegarem pela BR-060, de Brasília a Anápolis, e pela BR-153, de Anápolis a Itumbiara, terão de pagar pedágio. Segundo O POPULAR calculou, com base em declarações do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, uma viagem no trecho Brasília-Itumbiara custará R$ 10,80.
Não bastasse a abusiva carga tributária que hoje pressiona a população, o governo do PT mais uma vez quer arrancar dinheiro do contribuinte. E mais uma vez contradiz alguns dos pilares de seu discurso. O PT foi o partido que mais bateu na tecla contra a privatização. Usou esse argumento nas últimas três eleições presidenciais e ao longo dos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Da mesma forma que mentiu quando disse que não tomaria medidas para compensar o fim da CPMF, Lula enganou o povo ao se dizer contrário à privatização. O que o governo petista faz se resume numa frase: construir rodovias para jogá-las no colo da iniciativa privada. Além de garantir lucros fabulosos às futuras concessionárias, o governo federal emite a si mesmo um atestado de incompetência, mostrando que é incapaz de conservar, por conta própria, as obras que acaba de finalizar.
Quando através da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop), o governo do Estado em meados do ano passado anunciou a possibilidade de privatizar rodovias estaduais, a oposição na Assembléia Legislativa – em especial a bancada petista – atacou veementemente a idéia. E agora, o que dirão os deputados do PT? Mais uma vez o próprio Lula trata de contradizer o discurso daqueles que o defendem nas tribunas.
A grande diferença da privatização proposta pelo governo federal e a sugerida em Goiás é que a primeira não traz benefícios às rodovias, já reformadas como que por encomenda às concessionárias. Por outro lado, no projeto elaborado pela Agetop a concessão pública seria feita através de Parceria Público-Privada (PPP). As empresas interessadas em explorar o pedágio nas GOs assumiriam os custos de melhorias nos trechos, como obras de duplicação, viadutos e recuperação da malha. Ou seja, em vez de recuperar as rodovias para depois entregá-las de mão beijada, o governo de Goiás exigiria que as concessionárias reformassem e aprimorassem as GOs antes de começarem a cobrar o pedágio.
Quanta diferença em relação ao PT. Não bastasse a baixa execução orçamentária do PAC, o governo federal cria mais taxas e de quebra desqualifica o discurso de seu próprio partido. O povo que se prepare para o aumento do custo do frete e das passagens de ônibus intermunicipal. Serão as primeiras conseqüências do pedágio do Lula.
Daniel Goulart é deputado estadual, vice-presidente do PSDB-GO e presidente da Comissão de Tributação, Finanças e Orçamento da Assembléia Legislativa.
Daniel Goulart (PSDB) é deputado estadual e presidente da Comissão de Tributação, Orçamento e Finanças da Assembléia Legislativa
Data: 14/02/2008 - O Popular |